Previna-se contra intoxicação alimentar

Comer fora de casa já é um hábito incorporado à rotina de muita gente. No entanto, é preciso ficar atento porque, ao contrário de casa, não se conhece a procedência dos alimentos e bebidas à venda nesses locais. Cuidados extras devem ser levados sempre em consideração.

Dentre as doenças mais comuns transmitidas por alimentos, bebidas e utensílios mal higienizados destacam-se os distúrbios intestinais ou gastrointestinal (gastroenterocolite aguda) e a hepatite do tipo A. Os sintomas podem variar de leve, moderado ou muito grave.

Independentemente do microorganismo determinante, os efeitos da intoxicação alimentar aguda são bem parecidos: náuseas, vômitos, diarreia, febre, dor abdominal, cólicas e mal-estar. Nos quadros mais graves, pode ocorrer desidratação, perda de peso e queda da pressão arterial. Nas populações de idosos e crianças, os riscos são ainda mais altos.     

A intoxicação alimentar pode ser adquirida por água contaminada, principalmente no gelo servido em bebidas, ou mesmo na maionese usada no cachorro-quente ou nos frutos do mar, por meio das bactérias (Salmonella, Shigella, E.coli, Staphilococus, Clostridium), vírus (Rotavírus), fungos ou componentes tóxicos encontrados em certos vegetais.

Segundo Rosana Richtmann, médica infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, de São Paulo, a remoção de dejetos é um dos processos mais importantes durante a limpeza de utensílios. Afinal, se o resíduo de alimentos não for totalmente removido, os riscos de contaminação persistem. Para minimizar os riscos de contaminação, ela recomenda dar preferência aos locais com aparência mais limpa e que utilizem utensílios descartáveis, ao invés de usar louças e talheres de metal.

Apesar de as gastroenterocolites causarem os problemas mais conhecidos, a infectologista chama a atenção para os riscos de contaminação com o vírus causador da hepatite A (VHA), transmitido por via oral-fecal de uma pessoa infectada a outra saudável pelos alimentos. Esse tipo de contaminação é ainda mais sensível por causa do tempo de sobrevida do vírus, que pode ficar por até quatro horas na pele das mãos e dos dedos. Além disso, esse vírus é bastante resistente às mudanças ambientais, podendo resistir durante anos a temperaturas de até 20ºC negativos.

A médica destaca que um dos riscos menos comuns, mas que deve passar por nossa cabeça, é a herpes labial (irrupção de lesões cutâneas - aquelas indesejáveis feridinhas nos lábios que, geralmente, desaparecem após uma semana de tratamento). Um copo mal higienizado pode ser o caminho para a contaminação de outra pessoa.

Veja algumas dicas e previna-se de problemas relacionados à contaminação de alimentos e utensílios:

  • Não coma frutos do mar crus ou mal cozidos. Moluscos, especialmente, filtram grande volume de água e retêm vírus, se ela estiver contaminada. Ostras que se comem cruas e mariscos são transmissores importantes do vírus da hepatite A.
  •  Evite o consumo de alimentos crus e bebidas dos quais não conheça a procedência nem saiba como foram preparados. Dê preferência a copos, pratos e talheres descartáveis.
  • Procure beber só água clorada ou fervida, especialmente nas regiões em que o saneamento básico possa ser inadequado ou inexistente.
  • Lave muito bem as mãos antes das refeições e depois de usar o banheiro.
  • Escolhe locais onde a limpeza é mais aparente e de preferência àqueles conhecidos ou indicados por amigos.
  •  Evite alimentos a base molhos cremosos e ovos, como maionese e cremes em doces.