Apneia do sono requer tratamento

  Apneia, literalmente, significa a ausência de respiração. A falta de oxigênio leva a pessoa a acordar várias vezes durante a noite, sem necessariamente perceber, apesar de roncar alto e repetidamente. A síndrome é caracterizada pela obstrução parcial ou total das vias aéreas durante o sono, causando a interrupção completa do fluxo de ar por meio do nariz ou da boca por período de pelo menos dez segundos (apneia) ou redução de 30% a 50% desse fluxo (hipopneia).

  Ao perceber a falta de oxigênio, o corpo libera adrenalina e a pessoa acorda para respirar. Nesse processo, a pressão arterial sobe e o coração dispara. A arritmia cardíaca gerada pela doença pode fazer o coração entrar em colapso e a constante falta de oxigenação aumenta a pressão sanguínea, potencializando os riscos de infartos e de acidentes vasculares cerebrais (AVCs).  Além dos riscos cardíacos, a interrupção constante do sono provoca cansaço, dificuldade de permanecer acordado durante atividades sedentárias - como conversas telefônicas ou dirigir automóvel -, irritabilidade, depressão, redução da libido, impotência sexual e dores de cabeça matinais.

  Apesar da gravidade, e da grande incidência de casos na população adulta, o diagnóstico e o tratamento são bastante simples, segundo Rubens Reimão, neurologista e especialista em sono do Instituto Central do Hospital das Clínicas, em São Paulo.  “A doença atinge 5% da população mundial adulta, sendo mais comum em homens do que em mulheres, com os sintomas mais acentuados nas pessoas acima dos 50 anos de idade. Mas tem tratamento”, reforça. A obesidade é o principal fator de risco, embora seja cada vez mais comum encontrar o problema em quem não está acima do peso. Mulheres depois da menopausa e crianças com amídala ou adenóide aumentada também podem sofrer apneia. Outro grupo de risco é formado por pessoas com alguma alteração de mandíbula, como queixo para trás.

  De acordo com o médico, evitar o consumo excessivo de álcool e o ganho de peso diminui drasticamente o risco da doença do sono. “A apneia é a doença que faz mais pessoas morrerem durante o sono. Antigamente, as pessoas morriam por conta dela, mas ninguém sabia que era por esse motivo”, conta. Ele frisa que os acidentes automotivos também estão entre os grandes fatores de mortalidade associado ao distúrbio, uma vez que não é raro o doente cochilar ou dormir ao volante.

Tratamento: O exame de polissonografia detecta a síndrome. O procedimento mede quantas vezes por hora a pessoa deixa de respirar durante o sono. Quando isso acontece mais de 30 vezes por hora, o caso é considerado grave.  O uso do aparelho chamado CPAP (sigla em inglês para pressão positiva contínua do ar) é considerado o principal tratamento para os portadores da doença. O paciente dorme com uma máscara que puxa o ar de fora e o lança para dentro das vias respiratórias.

  Reimão destaca que, além da máscara, em alguns casos o tratamento cirúrgico é indicado para a remoção de obstáculos e correção de distúrbios anatômicos que dificultem a passagem de ar.  O exame de polissonografia é oferecido gratuitamente pela rede pública em alguns lugares, mas o tratamento com CPAP não. No mercado, o aparelho custa em média R$ 1 mil.