Adeus ao glúten: modismo ou necessidade?

  O desejo de excluir do cardápio todo e qualquer tipo de alimento com glúten virou febre. A pergunta é: no dia a dia, é mesmo possível viver sem alimentos como pães, macarrão, bolachas, torradas e uma infinidade de alimentos industrializados com essa proteína encontrada naturalmente na semente de muitos cereais, como trigo, cevada, centeio, aveia e malte? Até então a eliminação do glúten se restringia aos portadores de doença celíaca (transtorno autoimune do intestino delgado que ocorre em indivíduos geneticamente predispostos de todas as idades), mas e agora, por que crescem os adeptos?

  De acordo com Michele Haikal, dermatologista especialista em medicina antienvelhecimento e ciências nutricionais associadas ao exercício físico, a transgenicidade para aumentar a produção desses cereais elevou imensamente a quantidade de glúten nos alimentos industrializados. “Hoje eles têm 400% mais glúten. Por isso o pão, na era dos transgênicos, não é o mesmo”, explica. Ela enfatiza que essa quantidade imensa de glúten lesa a parede intestinal causando a chamada leaky gut syndrome, que é uma síndrome de hiperpermeabilidade intestinal, fazendo com que as proteínas entrem em contato com o organismo antes de serem quebradas em aminoácidos. “O corpo sinaliza essa proteína como estranha, como um antígeno, desenvolvendo anticorpos. Esse é o início de várias das doenças autoimunes. Essa síndrome, em estudos, foi encontrada em praticamente todas as doenças autoimunes”, alerta.

  Segundo ela,  é possível fazer substituições, sim. O trigo, por exemplo, pode ser trocado pela quinoa para preparar quibe, a biomassa de banana verde pode ser usada como espessante em bolos ou tortas, dá para substituir o pão por tapioca ou crepioca (ovo com tapioca) ou por biscoito de arroz integral. Também é possível fazer massa sem glúten a partir de farinha de arroz ou de fécula de batata, e consumir aveia livre de glúten.  

    Agora, se você não é celíaco, o mais indicado é ter moderação. Comer em menor quantidade e dar preferência a alimentos menos industrializados. Assim além de evitar doenças, pode contribuir para a perda de peso, não exatamente pelo glúten, mas porque ingerir cerveja, pizza, salgadinhos e biscoitos, como sabemos, não está entre as dietas mais saudáveis.