Passeio sem preconceitos na 25 de Março

De tão famosa pelos preços baixos e pela imensa gama de produtos à venda, a rua 25 de Março, encravada no centro de São Paulo, atrai compradores de todo o Brasil, inclusive estrangeiros. O centro comercial mais popular da cidade é constituído por aproximadamente 3 mil empresas, das quais 2,7 mil estabelecidas em edifícios, galerias e ruas adjacentes. De acordo com a Univinco, associação dos lojistas da região, ali são gerados atualmente 40 mil empregos.

A “25”, como é comumente chamada, e as ruas no entorno chegam a receber 400 mil pessoas diariamente. Nas vésperas de datas importantes como Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças e, principalmente, em dezembro, com a proximidade do Natal, estima-se que a circulação rompa a casa de um milhão de visitantes.

Sua história não é recente, mas poucos paulistanos a conhecem. A rua teve outros nomes antes e o batismo definitivo se deu em homenagem à data em que o Imperador Dom Pedro I outorgou a primeira Constituição do Brasil, em 25 de março de 1824. A vocação comercial começou no século 19, com a abertura das primeiras lojas de tecido pelos imigrantes árabes. Periférica à época, tinha moradias mais baratas do que as áreas altas da cidade.

Tempos depois, com o fim da Revolução de 1930, a região passou a ser o grande centro de atacado e varejo de tecidos, vestuários e armarinhos. Entre os centros comerciais, culminou por ser a região de maior volume de arrecadação, de tributos estaduais e municipais.

O título de Meca do comércio popular e dos melhores preços, no entanto, só surgiu nos anos 1960, por conta de uma grande enchente. "Foi o pulo do gato dos árabes", explica o economista Lineu Francisco de Oliveira, autor do livro Mascates e Sacoleiros (Editora Scortecci), sobre a história da região. A grande enchente encharcou os tecidos e os comerciantes fizeram uma grande liquidação de suas mercadorias. Não sobrou nada e até hoje vender a preços imbatíveis faz a fama do local.

As décadas de 70 e 80 foram marcadas pela invasão dos sacoleiros, que revendiam produtos vindos do Paraguai, sobretudo eletrônicos. A variedade acabou com o monopólio dos tecidos e abriu caminho para o varejo, que ficou mais forte nos anos 90.  

Não se engane, porém, com a fama de popular. A rua e todo seu entorno tem entre seus clientes assíduos e visitantes esporádicos pessoas de todas as classes sociais. Sem preconceito, circulam por ali caçadores de ofertas incríveis, de achados para decoração e objetos pessoais e para casa. Para quem gosta de andar bastante, procurar muito e pagar pouco a rua 25 de Março é um passeio e tanto.