Mantenha os pombos longe de casa

 

  Assim como os humanos, os pombos precisam de três fatores para sobreviver: água, alimento e abrigo. Exatamente por isso, costumam viver perto da população para conseguir alimentos. Mas fique alerta: essas aves podem oferecer grandes riscos à saúde pública.

  Mirian de Freitas Dal Ben Corradi, infectologista do corpo clínico do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, frisa que até hoje nenhum trabalho comprovou a transmissão de doenças pelos pombos aos seres humanos. Contudo, os profissionais da área de Saúde acreditam que esse tipo de ave seja potencial transmissor de doenças. “Diversos trabalhos, alguns inclusive no Brasil, demonstraram a contaminação dos pombos e, em especial das suas fezes, com microrganismos causadores de doenças”.  

  Segundo a médica, a bactéria causadora da psitacose e os fungos causadores da criptococose e da histoplasmose são, na maioria das vezes, transmitidos pela inalação do microrganismo presente no ambiente com dejetos da ave contaminada. Isso pode acontecer durante  a limpeza do local ou na manipulação dos dejetos.

  Na psitacose, o paciente apresenta quadro de febre, dor de cabeça, tosse seca, podendo evoluir com complicações como pneumonia. A criptococose pode se apresentar com quadro de infecção nos pulmões, meningoencefalite (acometimento cerebral e meningite), lesões de pele, dentre outros.

  O quadro mais comum de histoplasmose consiste de febre, dor no corpo, calafrios, tosse e pneumonia. A doença pode se disseminar e acometer outros órgãos do corpo, como a membrana que envolve o coração e as articulações. Existem, ainda, outras doenças como a salmonelose e a toxoplasmose, cujos microrganismos já foram isolados em pombos sãos, relata a médica.

  Todas essas doenças são tratáveis, porém, com grande potencial de levar o ser humano contaminado à morte. No caso da psitacose, o tratamento é realizado com antibióticos por 10 a 14 dias. Já a criptococose e a histoplasmose são tratadas com medicações antifúngicas, na maioria das vezes endovenosas no início do tratamento e, posteriormente, por via oral. O tratamento é bastante prolongado, podendo durar até mais de dois anos.

  De acordo com a infectologista, as pessoas mais vulneráveis para aquisição destas doenças são pacientes imunossuprimidos (com câncer e HIV, por exemplo), idosos, crianças e gestantes. “A psitacose em gestantes, por exemplo, pode levar a mulher e o feto a morte”, alerta.  

  Portanto, nada de alimentar pombos em sua residência ou lugares públicos. Lembre-se que saúde deve vir, sempre, em primeiro lugar