Cresce procura por albergues no Brasil

Já foi o tempo em que o público de hostels ou albergues da juventude era formado por mochileiros ou solitários em busca de uma cama aquecida e um chuveiro quente. Atualmente, esse tipo de negócio passa por sofisticação crescente e os albergues brasileiros têm atraído todo o tipo de público, como casais e grupos de amigos que, além de se beneficiarem com diárias mais baratas, aproveitam para conhecer pessoas de outras nacionalidades e viver novas experiências.

Mas, afinal de contas, como funciona um albergue? A primeira diferença fundamental é o quarto: no hotel é privado. Já no albergue, os quartos são compartilhados com desconhecidos, em um estilo de alojamento. O viajante aluga a cama, não o quarto – que pode ser masculino, feminino ou misto. Os banheiros são compartilhados, a cozinha é comunitária e o hóspede prepara a própria refeição.

No Brasil, o primeiro albergue foi instalado no bairro de Ramos, no Rio de Janeiro, e funcionou de 1965 a 1973, com o nome de Residência Ramos. No mundo, o primeiro albergue da juventude foi idealizado e aberto em 1912, em um antigo castelo na cidade de Altena, pelo professor alemão Richard Schirrmann, que tinha o costume de levar seus alunos para passeios e observações que podiam durar dias.

Atualmente, há quase 100 albergues da juventude espalhados pelo Brasil, que é o líder nesse segmento de hospedagem na América Latina. Em 2014, a cidade de São Paulo registrava oficialmente 64 albergues e oferecia aproximadamente 2,5 mil leitos, segundo dados da Associação de Hostels de São Paulo (Ahostelsp).

Apesar de o conceito estar no Brasil há mais de 50 anos, foi a Copa do Mundo de Futebol realizada ano passado que chamou a atenção dos brasileiros para esse nicho de negócios. Novas unidades foram abertas com a invasão de turistas estrangeiros e da mídia espontânea. “Grandes eventos sempre servem como catalisadores, aceleram o processo de investimentos, que acaba dando retorno financeiro e de imagem mais rápido”, comenta Luiz Geraldo Carolino Santos, diretor comercial da Federação Brasileira dos Albergues da Juventude.

Segundo ele, essa onda provocada pela Copa fez com que o brasileiro conhecesse o conceito e percebesse que, além de ser um meio de hospedagem mais acessível, contribui para a integração entre as diversas culturas. “Há o benefício econômico e o benefício social de conhecer gente de várias partes do mundo e trocar experiências”, afirma.

Seguindo a tradição hoteleira convencional, o negócio albergue funciona melhor nos grandes centros, mas existem dezenas deles espalhados pelo interior, cada um com seu encanto. Um exemplo é o Bonito Hostel, situado em Bonito (MS), considerada a capital brasileira do ecoturismo. Outra opção interessante é conhecer as ladeiras da histórica cidade mineira de Ouro Preto. As cidades litorâneas e as serras fluminenses e gaúchas também têm albergues, assim como a capital federal, e todos são muito visitados, garante.

Segundo o diretor comercial, a intenção é ampliar o número de unidades e ter este ano, no mínimo, uma unidade aberta em cada capital brasileira. “Esperamos para 2015 aumentar a rede ofertada em torno de 20%”, adianta.

Ele alerta ser um engano achar que o público que frequenta hostel é de classe social mais baixa. “A pessoa tem dinheiro para gastar, mas opta por esse tipo de hospedagem porque, antes do aspecto financeiro, vem o desejo de integração, de se misturar na comunidade que está ali e se inserir naquela realidade”, define.