Planeje hoje sua aposentadoria

Embora possa concretizar o sonho de maiores possibilidades de lazer e descanso, o momento da aposentadoria também constitui fonte de ansiedade e incertezas, decorrentes de profundas mudanças na rotina diária e na qualidade e intensidade dos relacionamentos pessoais. Daí a necessidade de uma preparação prévia, na qual a questão financeira é um dos aspectos a serem considerados. Pelas regras de aposentadoria atualmente vigentes no Brasil - expressa na Lei nº 9876, de 1999 -, os benefícios pagos aos aposentados da iniciativa privada são geralmente bastante inferiores àqueles recebidos na ativa (principalmente para quem ganha acima do teto da Previdência, hoje R$ 4.662,43 mensais). No estabelecimento de seu valor, a Previdência considera o tempo de contribuição do trabalhador, sua idade na aposentadoria e a expectativa de sobrevida do segurado a partir do início de recebimento do benefício.

De forma geral, pode-se dizer que quanto menor o tempo de contribuição feito pelo trabalhador, maior será a redução de seus vencimentos. Normalmente, homens não podem aposentar com menos de 65 anos de idade e 35 anos de contribuição; para mulheres são necessários 60 anos de vida e 30 anos de contribuição (simulações podem ser feitas no site da previdência  (www.previdencia.gov.br/calcule-sua-aposentadoria-simulao/).

Um plano de previdência complementar pode ajudar a manter padrão financeiro similar àquele vigente durante a época do trabalho ativo. E, quanto antes a pessoa pensar nisso, melhor. Como exemplifica o consultor financeiro Reinaldo Domingos, quem destinar todo mês R$ 250 para tal plano durante 30 anos, após esse período obterá rendimento mensal de R$ 8 mil. Caso ele contribua durante 15 anos terá rendimento a cada mês próximo a R$ 2 mil (em ambos os casos, considerando-se aplicação que remunere com juros médios de 0,7% ao mês, típica para uma inflação de anual de 10%). "É importante retirar apenas metade do rendimento, deixando sempre a outra parte para recompor a aplicação", recomenda.

É fundamental, também, selecionar quais as necessidades pós-aposentadoria, observa Maria Aparecida Rosa, analista responsável pelo Programa de Preparação para a Aposentadoria (PPA), do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP). "É preciso, por exemplo, ter mais de um automóvel quando já não é mais necessário ir todo dia ao trabalho?", pondera.  

Maria Aparecida destaca que ao se aposentar a pessoa se afasta de determinada rede de sociabilidade e interesses, além de uma série de cuidados com sua saúde - como exames e avaliações periódicas -, anteriormente oferecida pelas empresas. Precisa, então, criar uma nova rede de relacionamentos e de sociabilidade e manter os cuidados pessoais, a alimentação e a higiene.  

Segundo ela, a preparação para a aposentadoria deve sempre ser pautada em uma prévia definição de objetivos e metas. Por exemplo: a pessoa seguirá trabalhando ou se mudará para uma casa de praia ou de campo? "É importante se preparar com alguma antecipação, pois, assim como ela pode decidir quando aposentar-se, essa decisão pode vir da empresa. Se a pessoa for pega de surpresa terá muito mais dificuldades", finaliza.