Cuidado ao comprar carros em leilões

  Comprar barato é sempre bom, mas, conforme diz um conhecido ditado, 'o barato também pode sair caro'. Essa máxima deve ser lembrada por quem pensa em comprar automóvel em leilão, onde são oferecidos carros cujos proprietários não conseguiram quitar financiamentos ou foram apreendidos pela Justiça por algum problema legal. Em alguns casos, é possível adquirir veículos por preços mais de 50% inferiores àqueles cobrados em revendas.

  Pensar apenas no preço pode, posteriormente, significar muitas dores de cabeça a compradores inexperientes. Afinal, não é permitido ligar ou testar um automóvel a ser leiloado. É possível, no máximo, avaliá-lo em seus aspectos externos, o que torna extremamente difícil conhecer suas reais condições. Além disso, o pagamento deve ser feito à vista, e a legislação não prevê nenhuma espécie de ressarcimento para compras realizadas em leilões (insatisfeitos podem obviamente tentar recorrer à Justiça, mas essa opção, além de não necessariamente trazer resultado positivo, pode ser trabalhosa, demorada e dispendiosa).

  É, com certeza, possível encontrar carros em bom estado de conservação nos leilões, cuja compra se torna bastante compensadora. No entanto, há também a possibilidade de ali aparecerem carros em situação muito ruim, inclusive alguns para os quais as seguradoras deram perda total, mas que foram de alguma forma recuperados para serem comercializados. Tal prática de recuperação de veículos com perda total configura fraude, ressalta Ione Amorim, economista do IDEC (Instituto de Brasileiro Defesa do Consumidor). "Mas, na prática, acontece", comenta. 

  Algumas seguradoras também resistem a conceder seguro a veículos obtidos em leilões - muitas vezes anteriormente envolvidos em sinistros e acidentes - ou pedem valor muito elevado. Qualquer uma dessas duas práticas, diz Ione, é vedada pela lei. Até mesmo por isso, os carros podem sofrer acentuada desvalorização no momento de eventual revenda.  

  Para quem quer arriscar um lance, Ione recomenda: realize a vistoria prévia do veículo na companhia de um mecânico (ainda que também ele possa avaliar apenas o aspecto físico). Nessa verificação confira atentamente itens como pintura, lataria, pneus, vidros e se for permitido - o que nem sempre acontece - também o chassi. "É essencial anotar todas essas observações, pois às vezes, no dia do leilão não é possível ver o veículo", destaca.

  Quem compra um veículo em leilão, complementa a representante do IDEC, não deve pagar débitos anteriores, como multas e diárias devidas pelo local onde permaneceu apreendido: além do valor oferecido pelo comprador, sua responsabilidade financeira abrange somente a taxa do leiloeiro (em média, 5% sobre o valor da transação). Ione ressalta: "Leilão de automóveis é arriscado, preferível deixá-lo para profissionais". É o caso de revendedores que compram carros para posteriormente revendê-los.