Cirurgia bariátrica, vale a pena fazer?

  No Brasil, a cada ano são realizadas mais de 50 mil cirurgias bariátricas, também conhecidas como 'cirurgias de redução do estômago'. Antes, porém, de indicar esse procedimento cirúrgico, os médicos avaliam o paciente em uma série de quesitos: entre eles, IMC (Índice de Massa Corpórea), idade, tempo da doença, presença de comorbidades (duas patologias em um mesmo paciente), como diabetes e hipertensão.  

Atualmente, são três as técnicas básicas da cirurgia bariátrica:

  • Restritivas, nas quais é reduzida a capacidade do estômago;
  • Disabsortivas, que a partir de desvios no intestino diminuem a capacidade do organismo de absorver alimentos; 
  • Mistas, compostas pela combinação dessas duas variantes.  Conhecida como bypass, uma técnica mista - redução do estômago e pequeno desvio do intestino - é atualmente a mais utilizada.  

  Mas não basta fazer essa operação para emagrecer: "Quem se submete a uma cirurgia bariátrica precisa reeducar totalmente seus hábitos alimentares", ressalta Alexandre Amado Elias, cirurgião especializado em cirurgia bariátrica e metabólica, integrante da diretoria da SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica). Não haverá, ele ressalta, praticamente nenhum alimento a priori proibido após a operação, mas a pessoa passa a ingerir porções fracionadas dos alimentos mais vezes ao dia.  

  Por seu potencial impacto nas várias vertentes da vida de uma pessoa, a cirurgia bariátrica também exige, tanto antes quanto na fase pós-operatória, o acompanhamento do paciente a longo prazo por uma equipe multidisciplinar. Fazem parte, além do cirurgião, endocrinologista, psiquiatra, psicólogo e nutricionista, entre outros profissionais.

  É aguardada para 2015 a regulamentação no Brasil do uso desse procedimento cirúrgico não apenas em obesos mórbidos, mas também em graus menores de obesidade, com objetivo de ajudar no controle de disfunções metabólicas. "Descobriu-se efeitos benéficos na redução ou mesmo solução de problemas metabólicos - como diabetes ou colesterol elevado - e nos problemas cardiológicos a eles associados, como hipertensão e entupimento de artérias", ele justifica.

  Para quem tem IMC acima de 40 kg/m² a cirurgia é recomendada independentemente da presença de comorbidades. Entre 35 e 40 kg/m² são analisados outros fatores, como a presença de comorbidades e sua gravidade. As contraindicações são: limitação intelectual significativa em pacientes sem suporte familiar adequado; quadro de transtorno psiquiátrico não controlado, incluindo uso de álcool ou drogas ilícitas; doenças genéticas.

  A primeira recomendação para o tratamento da obesidade é a adoção de hábitos saudáveis, como dieta leve e exercícios físicos regulares. Em seguida, tenta-se controlar a doença por meio de remédios, os conhecidos emagrecedores. Somente após tais métodos mostrarem-se infrutíferos deve-se pensar na cirurgia bariátrica. Os planos de saúde inclusive exigem, para realizar essa cirurgia, atestados nos quais endocrinologistas relatem pelo menos dois anos de tentativas de tratamento da obesidade por esses métodos mais convencionais.

Se quiser saber mais, leia a respeito em sbcbm.org.br/wordpress