Chocolate, seus mitos e verdades

Dar uma mordida em uma barra de chocolate, para muita gente, é um momento de prazer. Mas logo vem o sentimento de culpa para aqueles que acham o alimento gorduroso, calórico, responsável pela oscilação na balança e também pelo surgimento das espinhas no rosto. 

Para quem pensa assim, a primeira boa notícia é que a digestão do chocolate se faz facilmente, graças às gorduras que entram em sua composição: 39% de ácidos graxos não-saturados, sendo 37% de ácido-oléico e 2% de ácido linoléico, indispensáveis ao organismo. O processo digestivo da manteiga de cacau, um dos seus componentes, é excelente. Quanto ao fígado, testes biológicos apresentam o órgão em absoluta normalidade após a ingestão de chocolate.

Quem assegura essa informação é Vanderli Marchiori, nutricionista clínica e fitoterapeuta da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), ao desmistificar questões envolvendo o ‘néctar dos deuses’ eleito por grande parte da população mundial Para ela, o chocolate é um alimento conhecido por sua alta carga energética e, por isso, frequentemente banido do consumo dietético regular de algumas pessoas. “É fato que os níveis alarmantes de obesidade e os maus hábitos alimentares corroboram para esta atitude extremada de repúdio. Em contrapartida o seu sabor e prazer são inigualáveis e inquestionáveis”, destaca.

Contrariando a crença comum, o chocolate não é uma fonte de cafeína. É um estimulante cerebral composto basicamente por manteiga de cacau, açúcar e leite. “Os valores de carboidratos, gorduras e proteínas serão diferentes entre as diferentes marcas, pois as proporções destes ingredientes determinam o segredo de um produto”, diz ao acrescentar que o alimento fornece entre 450 e 500 calorias em cada 100 gramas de produto.

O baixo índice de calorias em relação a outros alimentos é também muito importante, explica a nutricionista. Enquanto uma barra de chocolate de 30 gramas possui 155 calorias, uma batata doce pequena contém 314, e um pedaço de torta de passas, 437.

Estudo realizado com indivíduos saudáveis do sexo masculino na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, observou que quem consumia quantidades moderadas de chocolate apresentava risco de mortalidade por causas cardíacas 36% menor em comparação aos que não consumiam o produto. Este fato pode ser atribuído ao fato de o cacau ser rico em flavonóis responsáveis pelo aumento do HDL, colesterol que protege de doenças cardiovasculares.

A conexão do chocolate com o cérebro também é bem significativa. Segundo Vanderli, a compulsão por chocolate apresenta níveis de 40% em mulheres e apenas 15% em homens, sendo que as primeiras são mais suscetíveis durante o desequilíbrio hormonal causador da tensão pré-menstrual.

Se por um lado as pesquisas demonstram benefícios como aumento da capacidade de processamento cerebral (função cognitiva), diminuição das taxas de AVC e insuficiência cardíaca, além da melhora da pressão arterial e do humor em mulheres, por outro o chocolate contém açúcares e gorduras saturadas, danosas ao corpo. O alerta é da endocrinologia Andressa Heimbecher, especialista em emagrecimento. O ideal, segundo ela, é o consumo de chocolate em pequenas porções. “A preferência deve ser dada aos meio amargos, que apresentam maior teor de cacau na sua composição. Os do tipo ao leite elevam os índices de colesterol ruim. Os meio amargos, com pelo menos 60% de cacau, reduzem”, explica.

 Vale lembrar, ainda, que o chocolate é um aliado da beleza. Está presente em banhos de ofurô, massagens, máscaras e outros cosméticos. Além do alto poder hidratante, combate os radicais livres, evitando a oxidação das células. Portanto, continua valendo a máxima de que tudo é permitido, mas o bom senso e a moderação são fundamentais para uma alimentação saudável.